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A família Pano
Segundo ERIKSON (1998), a família Pano possui
uma grande homogeneidade territorial, linguística e cultural distribuída em
três países: Brasil, Bolívia e Peru. De acordo com SHELL (1975), essa família
conta com cerca de três dezenas de línguas faladas por aproximadamente 40.000
pessoas, sendo 30.000 só no Peru, cerca de 8.200 no Brasil e umas 800 na
Bolívia. Segundo AMARANTE RIBEIRO (2003), as etnias Pano ocupam juntamente com
povos falantes de outras famílias linguísticas um vasto território (100 milhões
de hectares) de forma aproximadamente quadrangular limitado pelos paralelos 3°
S e 14º S e pelos meridianos 72° W e 64° W na região amazônica. Seus
representantes habitam as áreas adjacentes aos rios Purus, Juruá, Madeira e
seus afluentes.
Quanto às línguas que compõem a família Pano, a
literatura menciona 26 vivas, ou seja, aquelas que ainda são faladas por povos
localizados no Brasil, Bolívia e Peru. A distribuição das línguas nos três
países é a seguinte: 12 no Brasil (Arara, Katukina, Kaxarari, Korubo, Kulina,
Marubo, Matis, Nawa, Nukini, Poyanáwa, Shanenawa e Yawanawa), duas na Bolívia
(Chácobo e Pakawara) e nove no Peru
(Amawaka, Iskonawa, Kapanawa, Kashibo-kakataibo, Mastanawa, Shipibo-Konibo,
Sharanawa, Xitonawa e Yoranawa). Outras duas, o Kaxinawa e o Matsés, são
faladas tanto no Brasil como no Peru e uma última, o Yaminawa, é falada
concomitantemente nos três países que possuem povos Pano. Infelizmente, uma
parte considerável dessas 26 línguas encontra-se em processo de extinção,
correndo o risco de se juntarem a outras 10 que, no século passado, não puderam
escapar desse processo. São elas: o Nokaman, o Panobo, o Remo, o Atsawaka, o
Arazaire e o Yamiaka (todas faladas no Peru); o Kanamari Pano, o Tuxinawa e o
Karipuna Pano (faladas no Brasil).
Uma característica singular dos povos Pano é o
contraste entre sua homogeneidade linguística, cultural e territorial, e o fato
de que, em geral, esses povos ignoram a existência de outras etnias de línguas
da mesma família a não ser que sejam vizinhos muito próximos. A exceção ocorre
no contato que se estabelece durante os encontros realizados pelas Secretarias
de Educação para treinamento de professores bilíngues ou encontros políticos
multilaterais. Muitos povos Pano, como se nota na citação acima, têm nas
palavras usadas para nomeá-los um sufixo peculiar {-bo} ou o radical {-nawa} que significam ‘povo’, ‘estrangeiro’ ou mesmo ‘inimigo’,
dependendo do contexto em que são usados. Isso nos faz concluir que os nomes
citados neste projeto não se tratam de auto-denominações, mas de atribuições
feita por membros de outras etnias (para maiores informações sobre essa família
linguística, consultar AGUIAR (1994) e Fabre (2005)).
Do ponto de vista científico, as línguas Pano têm sido estudadas, além do GICLI, por pesquisadores de renomadas instituições brasileiras e sul-americanas como a UNICAMP, o Museu Nacional do Rio de Janeiro, a UFRJ, a UFG, a UFPE, UFAL, a Universidade de São Marcos, no Peru, entre outras.
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